segunda-feira, 2 fevereiro 2026
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Crise aviária pode reduzir preço do frango no curto prazo, mas impacto na inflação deve ser limitado

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Pressão inflacionária e crise aviária colocam o setor avícola no centro do debate econômico

Em meio ao esforço do governo federal para conter a inflação de alimentos, analistas avaliam que o surto de gripe aviária no Brasil pode proporcionar algum alívio temporário nos preços da carne de frango. No entanto, o impacto deve ser modesto e de curta duração, alertam especialistas.

Exportações suspensas aumentam a oferta interna

Após a confirmação do primeiro caso da doença em granja comercial no Rio Grande do Sul, diversas nações passaram a impor restrições às importações de aves brasileiras. O estado, responsável por cerca de 12% dos frangos abatidos no país em 2023, teve sua produção impactada, o que pode gerar um excedente no mercado interno.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil é o maior exportador global de carne de frango, direcionando cerca de um terço da produção ao mercado externo. A suspensão das exportações, portanto, obriga empresas como BRF SA e JBS SA a buscar novos destinos para seus produtos — ou a redirecionar parte da produção ao mercado doméstico, o que pode reduzir os preços internos da proteína.

Zoneamento sanitário pode preservar parte do comércio

Para conter o avanço da doença sem comprometer totalmente o comércio, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) recomendou a adoção do zoneamento sanitário, estratégia que concentra os bloqueios e medidas de controle apenas nas regiões afetadas. A medida visa permitir a continuidade das exportações de outras áreas do país consideradas livres da doença.

Efeito sobre os preços deve ser passageiro

Apesar da expectativa inicial de queda nos preços, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, já minimizou a relevância desse impacto. Segundo José Carlos Hausknecht, sócio da consultoria MB Agro, o efeito nos preços será pequeno e restrito ao curto prazo, com tendência de normalização assim que as exportações forem retomadas.

A corretora XP também avalia que a pressão nos preços será temporária, podendo variar de acordo com a duração das restrições internacionais. Para o economista André Braz, da FGV Ibre, se os preços caírem abaixo dos custos de produção, é provável que as empresas do setor avícola reduzam a oferta, limitando o efeito de queda nos preços.

Inflação dos alimentos segue como desafio para o governo

A inflação dos alimentos tem sido um dos principais entraves para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos 12 meses encerrados em abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,5%, com destaque para os alimentos, que registraram alta de 7,8% — sendo que carne de aves e ovos acumulam aumento de 12,3%, segundo dados do IBGE.

Adenauer Rockenmeyer, coordenador do Fórum do Agronegócio do Corecon-SP, afirma que qualquer alívio inflacionário será marginal e destaca o risco de agravamento da crise sanitária. “Se o foco não for contido e a doença se espalhar para outras granjas, haverá um abate em larga escala, comprometendo a oferta não só de frango, mas também de ovos, o que elevaria novamente a inflação”, alerta.

Embora a crise aviária possa gerar uma queda momentânea nos preços da carne de frango no mercado interno, especialistas apontam que o impacto sobre a inflação será limitado e que o cenário pode se reverter rapidamente, caso a doença se alastre e afete significativamente a produção nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio