sexta-feira, 13 fevereiro 2026
Início Agricultura e Meio Ambiente Trigo enfrenta mercado travado no Sul do Brasil, enquanto Chicago registra forte...

Trigo enfrenta mercado travado no Sul do Brasil, enquanto Chicago registra forte alta com cobertura de posições vendidas

0
81

O mercado de trigo atravessa momentos distintos entre o cenário interno brasileiro e o internacional. No Sul do Brasil, os preços seguem pressionados e o plantio da safra 2025 avança lentamente. Já na Bolsa de Chicago, os contratos futuros encerraram o mês com forte valorização técnica, impulsionados pela cobertura de posições vendidas e pela queda do dólar.

Mercado interno segue lateralizado e com baixa liquidez

No Sul do Brasil, a movimentação do mercado de trigo permanece limitada, com pouca demanda, preços em queda e moinhos retraídos nas compras. Segundo dados da TF Agroeconômica e CEPEA, os valores da safra velha caíram no Rio Grande do Sul e no Paraná, comportamento atípico para esta época do ano.

Os principais fatores que pressionam os preços:

  • Queda nas cotações do trigo argentino
  • Valorização do real frente ao dólar
  • Estoques elevados
  • Margens reduzidas nos moinhos
Plantio da safra 2025 avança lentamente no RS

No Rio Grande do Sul, o plantio da nova safra está estagnado em cerca de 40% da área estimada, que não deve ultrapassar 1 milhão de hectares. O atraso é causado pelas chuvas frequentes, que dificultam o avanço das máquinas no campo.

No mercado externo, o trigo tipo BRL 12% teve seu preço de exportação recuado para US$ 226 por tonelada, o equivalente a R$ 1.277,00, mas os moinhos continuam ausentes das negociações. No mercado interno, a saca de 60 kg em Panambi (RS) segue em R$ 70,00.

Santa Catarina: demanda fraca e cautela nas compras

Em Santa Catarina, apesar da boa oferta de trigo, principalmente oriundo do RS, o ritmo de moagem e reposição de estoques segue lento.

  • Preços da safra velha variam entre R$ 1.330 e R$ 1.500 por tonelada, conforme tipo e origem
  • Para a safra nova, não há ofertas disponíveis no momento
  • Venda de sementes caiu 20% em relação ao ano passado
  • Conab projeta queda de 6,3% na produção estadual, mesmo com leve expansão da área plantada

Nas principais praças catarinenses, os preços pagos ao produtor estão praticamente estáveis:

  • Canoinhas: R$ 78,00
  • Joaçaba: R$ 76,00
  • Xanxerê: R$ 79,00 (recuo de R$ 1,00)

O cenário é de cautela, com expectativa por melhoria no clima e possível retomada da demanda nas próximas semanas.

Chicago: contratos futuros sobem com apoio técnico e câmbio

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços do trigo encerraram a sessão com forte alta, impulsionados por:

  • Movimento técnico de recuperação
  • Cobertura de posições vendidas após perdas recentes
  • Queda do dólar, que melhora a competitividade do cereal dos EUA

Apesar da alta, os ganhos foram limitados pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte e pela oferta global abundante.

Dados do USDA indicam estoques acima do esperado

Segundo o relatório trimestral do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA):

  • Estoques de trigo superaram as expectativas do mercado
  • Em junho, o contrato para setembro recuou 1,82%
  • No trimestre, a queda foi de 4,94%, e no semestre de 7,35%
Condições das lavouras nos EUA
  • Trigo de inverno:
    • 48% em boas/excelentes condições
    • 32% regulares
    • 20% entre ruins e muito ruins
    • Colheita chegou a 37% até 29 de junho (abaixo da média dos últimos cinco anos, de 42%)
  • Trigo de primavera:
    • 53% em boas/excelentes condições
    • 33% regulares
    • 14% ruins ou muito ruins
Fechamento dos contratos
  • Setembro/25: US$ 5,49/bushel (+10,75 centavos ou +1,99%)
  • Dezembro/25: US$ 5,69 1/4/bushel (+9,25 centavos ou +1,65%)

Enquanto o mercado brasileiro segue cauteloso, aguardando melhores condições climáticas e sinais de recuperação da demanda, o ambiente internacional mostra volatilidade, com influências cambiais e estratégias especulativas que impulsionam os preços, ainda que sob o peso da ampla oferta global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio