Para começar 2026 com novas metas e seguir investindo no empreendimento familiar, produtores rurais estão renovando o contrato de microcrédito produtivo orientado (MPO). A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em parceria com a Caixa Econômica Federal, contribui para o aumento da produtividade e da renda de agricultores familiares, comunidades e povos tradicionais.
A renovação do crédito é um dos fatores que explicam a expansão do programa. Na primeira semana de janeiro, 1.084 novas famílias aderiram ao financiamento rural do MIDR, que soma, nas regiões Norte e Centro-Oeste, 27.356 contratos assinados. Desde o lançamento em dezembro de 2024, o microcrédito movimentou R$ 338,69 milhões nas duas regiões.
Um dos principais atrativos do MPO do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) são as condições diferenciadas de pagamento. O programa prevê bônus de adimplência para os beneficiários que mantêm as parcelas em dia, com descontos que variam de 25% a 40%, a depender da localidade e da atividade financiada. Na região Norte, o abatimento pode chegar a 40% do valor contratado, reduzindo significativamente o custo final do financiamento e estimulando a renovação do crédito.
É o caso de Lucicleide Pantoja Marques, 29, e Ednaldo Marques Costa, 29, que contrataram, no ano passado, R$ 12 mil cada um. O casal vive com a filha Bruna, de 3 anos, às margens do Rio Tocantins na Ilha de Tabatinga de Carapajó — uma das porções de terra que integram o arquipélago fluvial de Cametá (PA). Inicialmente, eles se preocuparam com o prazo de um ano de carência, mas o bônus de adimplência aliviou no bolso, já que o crédito foi quitado por R$ 7.230. “A gente até pagou antes do prazo. Não deixamos completar um ano”, lembra a pescadora.
No terreno de casa, eles produzem e vendem açaí, e em um sítio no interior de Cametá, cultivam mandioca, cupuaçu e cacau. “Nós queríamos comprar uma rabeta para levar os produtos e o peixe para a cidade. Temos que atravessar o rio para chegar no mercado de Cametá. Foi uma grande ajuda o microcrédito para comprar esse material e chegar lá”, destaca.
Antes de adquirir o barco e o motor rabeta com apoio do microcrédito, Ednaldo dependia de lanchas coletivas e levava mais de uma hora para chegar no mercado de Cametá. Devido ao longo tempo de espera e deslocamento, o pescador perdia clientes no comércio. Com o investimento, o trajeto passou a ser feito em cerca de 30 a 40 minutos. “Como chegávamos à tarde, já tinha muita gente na feira, as pessoas que faziam a venda também. Chegando mais cedo, melhorou bastante pra vendermos nossos produtos”, afirma.
Neste mês, o casal retornou à agência da Cactvs (agência de microfinanças credenciada pela Caixa) em Cametá. Dessa vez, com mais confiança, eles decidiram fazer um contrato diferente para cada um. “O desconto chamou a nossa atenção. É um desconto muito grande”, enfatiza Lucicleide, que contratou R$ 15 mil no início dessa semana. “Vou fazer o meu de novo para ter um valor maior, né?”, garante Ednaldo. O casal ainda não entregou o novo orçamento, mas adianta que pretende comprar um freezer e materiais de pesca.
Acompanhamento técnico faz a diferença
Além das condições financeiras, o microcrédito produtivo orientado se diferencia pelo acompanhamento técnico na estruturação dos investimentos. De acordo com o coordenador de microfinanças da Cactvs no Pará, Vlademir Junior, os produtores se beneficiam das orientações em educação financeira, ambiental e empresarial ao ajustar seus planos de investimento e vislumbrar novas oportunidades. “Muitas vezes o produtor chega com a ideia de investir em um único item, mas, no diálogo, conseguimos estruturar um projeto mais equilibrado, que reduz custos e aumenta a produção”, explica.
Na visão do coordenador de microfinanças, o resultado dessa política pública é impactante. “Passando por diferentes regiões, eu percebo a diferença que tem sido feita através do microcrédito, principalmente nos lugares de difícil acesso, em que o cliente às vezes não tem nem energia elétrica em casa. Conseguimos fazer projetos para energia solar e isso acaba sanando uma vulnerabilidade social, e trazendo dignidade para esse cliente”, afirma.
Fonte: Brasil 61





