segunda-feira, 2 fevereiro 2026
Início Esportes Arsenal confirma favoritismo e vence o Corinthians na final da Copa dos...

Arsenal confirma favoritismo e vence o Corinthians na final da Copa dos Campeões feminina

0
9
Olivia Smith comemora gol do Arsenal contra o Corinthians na final do Mundial de Clubes feminino | Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As Brabas, como são conhecidas as jogadoras de futebol do Corinthians, resistiram o máximo que puderam. A equipe, que dominou o futebol feminino sul-americano nos últimos dez anos, chegou de forma supreendente à final da Copa dos Campeões feminina da Fifa, disputada neste domingo (1º), mas acabou derrotada pelo Arsenal, potência da modalidade e favorito na decisão.

Não sem resistir com toda a bravura. O time foi fortemente pressionado durante todo o jogo e, apesar de ter ficado atrás no placar duas vezes no tempo regular, buscou um empate improvável nos acréscimos, em uma cobrança de pênalti, e forçou a prorrogação.

A partida terminou com o placar de 3 a 2, com gols de Olivia Smith, Wubben-Moy e Foord, pelo Arsenal, e Gabi Zanotti e Vic Albuquerque, pelo Corinthians.

O Arsenal controlou a posse de bola ao longo de toda a partida e deixou o Corinthians com pouco espaço. O clube britânico abriu o placar aos 14 minutos, e a Brabas reagiram logo. Aos 20 minutos, Gabi Zanotti, em um lance confuso, cabeceou uma bola de escanteio e empatou para o Corinthians.

A equipe, exibindo dificuldades físicas, sofreu mais um gol do Arsenal aos 12 minutos do segundo tempo, que parecia selar o resultado da decisão -até que, em um pênalti nos últimos minutos antes do fim da partida, o Corinthians empatou em 2 a 2 e empurrou a final para a prorrogação, levando a torcida brasileira no estádio de Londres ao delírio.

A comemoração, porém, durou pouco. Aos 13 minutos da prorrogação, o Arsenal marcou o gol que decidiu o desfecho da final.

Primeira competição feminina mundial de futebol, o torneio segue os moldes da Copa Intercontinental masculina, em que participam os vencedores de cada continente. Os prognósticos apontavam para uma final provável entre os representantes das duas ligas mais fortes do mundo, a europeia e a norte-americana.

As atletas do Corinthians não se abateram pela condição de zebra do clube. Nas semifinais, conseguiram uma vitória suada sobre o Gotham FC, dos Estados Unidos, e chegaram à decisão buscando mostrar que tinham condições de competir com uma das maiores equipes da modalidade.

Mas a decisão em Londres mostrou o peso da estrutura do futebol feminino e dos investimentos dos clubes da Europa -e a distância com a realidade brasileira.

De acordo com um relatório da consultoria Deloitte, 14 dos 15 clubes de futebol feminino com maior faturamento do mundo são europeus -a exceção é o japonês Sanfrecce Hiroshima Regina, na 14ª colocação. Na temporada 2024/25, os 15 clubes geraram uma receita total de EUR 158 milhões (R$ 980 milhões), o que representa um crescimento de 35% em relação à temporada anterior.

O Arsenal ocupa a primeira posição no top 15, com receita de EUR 25,6 milhões (R$ 158 milhões) na última temporada e crescimento anual de 43%, segundo o estudo, que aponta que o clube obtém anualmente EUR 7 milhões (R$ 43 milhões) com a bilheteria dos jogos, EUR 2,4 milhões (R$ 15 milhões) com direitos de transmissão e EUR 16,2 milhões (R$ 100 milhões) com acordos comerciais, que incluem patrocínios e parcerias com marcas.

O Arsenal venceu o último título da Liga dos Campeões feminina e, na seleção da Fifa (Federação Internacional de Futebol), no prêmio The Best de 2025, 3 das 11 jogadoras eram do time londrino: Mariona Caldentey, 29, Alessia Russo, 26, e Leah Williamson, 28.

Os investimentos e as receitas dos clubes europeus de futebol feminino, ainda que muito menores que os das equipes masculinas, contrastam com a baixa profissionalização e a instabilidade financeira da modalidade no Brasil e na América do Sul.

Não há dados sistematizados sobre as receitas dos clubes femininos do Brasil. O Corinthians previu a arrecadação de R$ 10,4 milhões com patrocínios da modalidade na temporada 2024, e o título da Libertadores feminina do mesmo ano rendeu cerca de R$ 11 milhões ao clube.

Enquanto a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) é criticada pelos aportes modestos e pela baixa visibilidade do futebol feminino, a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou em 2024 que pretende investir EUR 2,4 bilhões (R$ 15 bilhões) no futebol feminino europeu até 2030, incluindo o desenvolvimento de categorias de base, a ampliação das ligas profissionais e do número de atletas e a ampliação do público das partidas.

As disparidades do calendário da modalidade na América do Sul e na Europa também são nítidas. A Liga dos Campeoões feminina é disputada ao longo de todo o ano, com 18 times, e a Copa Europa reúne mais de 40 clubes. A Libertadores feminina tem a participação de 16 equipes e concentra as partidas em cerca de duas semanas.

As Brabas, porém, contam com uma estrutura que é exceção no cenário brasileiro e sul-americano, resultado de um projeto de reorganização do futebol feminino do clube implementado a partir de 2016. Comandada pela técnico Arthur Elias, hoje à frente da seleção brasileira feminina, a equipe se profissionalizou e passou a contar com orçamento estável e investimentos nas categorias de base e na retenção do elenco.

As vitórias não tardaram a chegar e, em alguns anos, o Corinthians firmou sua hegemonia na modalidade. O clube conquistou, entre outros títulos, sete do Campeonato Brasileiro (2018, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025), três da Supercopa do Brasil (2022, 2023 e 2024) e seis da Copa Libertadores (2017, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025).

Fonte: Folha de S Paulo