O ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor foi preso nesta quinta-feira (19/02) sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público.
A polícia informou que ele está sob custódia e que agentes estão realizando buscas em endereços nas regiões de Berkshire e Norfolk.
Fotos mostram carros chegando à propriedade de Sandringham, em Norfolk, no início da manhã.
A prisão ocorre após a polícia ter informado que está avaliando uma denúncia sobre o suposto compartilhamento de material confidencial pelo ex-príncipe com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Andrew, que completa 66 anos hoje, tem negado veementemente e consistentemente qualquer irregularidade.
Anteriormente conhecido como Duque de York, Andrew é irmão mais novo do rei Charles 3º e filho da rainha Elizabeth 2ª. Ele foi destituído de todos os títulos reais em outubro do ano passado, devido aos laços passados com Epstein.
A relação de Andrew com Epstein
Imagens divulgadas em janeiro pelo governo americano mostram Andrew de quatro sobre uma mulher não identificada, totalmente vestida, deitada no chão. Em duas delas ele parece a estar tocando na barriga. Outra imagem o mostra olhando diretamente para a câmera.
O Departamento de Justiça também publicou emails separados que sugerem que o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein convidou Andrew para jantar com uma mulher russa de 26 anos. As mensagens foram trocadas em agosto de 2010, dois anos depois de Epstein se declarar culpado de aliciar uma menor de idade.
As fotos foram divulgadas pelo governo americano sem mais explicações sobre o contexto, e não está claro quando e onde elas foram tiradas.
Andrew Mountbatten-Windsor sempre negou qualquer irregularidade.© Departamento de Justiça dos EUA
Tanto as imagens quanto as trocas de emails divulgadas fazem parte dos mais de 3 milhões de novos arquivos publicados no âmbito das investigações sobre o milionário condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019.
Outras imagens divulgadas mostram fotos editadas de mulheres não identificadas e o que parecem ser apartamentos de luxo, quartos de hotel e uma casa com piscina.
Emails de 11 e 12 de agosto de 2010 entre Epstein e uma pessoa chamada “O Duque” — que acredita-se ser Andrew Mountbatten-Windsor — sugerem que o americano queria apresentar “A” a uma mulher russa de 26 anos.
Na mensagem, Epstein sugere que ele “poderia gostar de jantar” com a mulher, que estaria em Londres em agosto de 2010.
“O Duque” responde que estaria em Genebra “até a manhã do dia 22, mas ficaria encantado em vê-la” antes de perguntar: “Ela trará uma mensagem sua? Por favor, dê a ela meus dados de contato para que ela entre em contato.”
Ele pergunta a Epstein se há “alguma outra informação que você possa saber sobre ela que seja útil?”
Epstein responde que “ela tem 26 anos, é russa, inteligente, bonita, confiável e sim, ela tem seu e-mail.”
Epstein foi condenado em 2008 por aliciar sexualmente uma menina de 14 anos na Flórida e cumpriu sua pena em julho de 2010, um mês antes da troca de e-mails. A BBC não conseguiu verificar os e-mails de forma independente.
Entre o último lote de documentos também está uma troca de e-mails datada de 27 de setembro de 2010 entre Epstein e a conta intitulada “O Duque”.
Nela, eles discutem um jantar no Palácio de Buckingham, onde há “muita privacidade”.
Os e-mails não indicam qualquer irregularidade. A BBC entrou em contato com Mountbatten-Windsor para que ele comentasse o caso.
Em uma das imagens, a mão da mulher está levantada enquanto Andrew toca a lateral do seu corpo© Departamento de Justiça dos EUA
Outro documento divulgado pelo Departamento de Justiça, de 2020, é um pedido formal de assistência das autoridades americanas solicitando uma entrevista com Mountbatten-Windsor. Na mensagem, as autoridades diziam acreditar que “o príncipe Andrew pode ter sido testemunha e/ou participante de certos eventos relevantes para a investigação em curso”.
O texto afirma que evidências documentais teriam revelado que Andrew tinha conhecimento de que Ghislaine Maxwell, associada de Epstein que foi condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade, recrutava mulheres “para praticar atos sexuais com Epstein e outros homens”.
O documento também aponta “evidências de que o príncipe Andrew se envolveu em conduta sexual com uma das vítimas de Epstein”.
Mountbatten-Windsor negou repetidamente qualquer irregularidade em relação a Epstein e disse que não “viu, testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do tipo que posteriormente levou à sua prisão e condenação”.
Em 2022, Andrew fechou um acordo com a americana Virginia Giuffre para encerrar um processo aberto contra ele por acusação de abuso sexual.
Giuffre estava processando Andrew, alegando que ele a agrediu sexualmente em três ocasiões quando ela tinha 17 anos, em 2001. Ela afirmou que, naquele ano, Epstein a levou para Londres e a apresentou ao príncipe Andrew.
Andrew também nega as acusações relacionadas a Giuffre.
Sarah Ferguson, ex-mulher de Andrew, não comentou publicamente a mais recente divulgação de documentos© EPA-EFE/REX/Shutterstock
Emails que parecem ter sido trocados entre Sarah Ferguson, ex-mulher de Andrew, e Epstein também estão entre os arquivos divulgados recentemente.
Uma mensagem de 4 de abril de 2009 — assinada “Com amor, Sarah, a ruiva!!” —dizia: “Olá, Jeffrey. Estou aterrissando em Palm Beach em algumas horas. Há alguma chance de eu conseguir tomar uma xícara de chá durante minha rápida escala…?”
O email continua discutindo ideias para a empresa de Ferguson, chamada Mother’s Army.
A ex-Duquesa de York se refere a Epstein como “Meu querido, espetacular e especial amigo Jeffrey. Você é uma lenda e eu tenho muito orgulho de você.”
Epstein ainda estava em prisão domiciliar quando a mensagem foi enviada.
Em outra troca de emails, de agosto de 2009, Ferguson escreve para Epstein novamente para discutir “minha marca Sarah Ferguson” e agradece ao bilionário “por ser o irmão que eu sempre desejei”.
Os emails não indicam nenhuma irregularidade. A BBC entrou em contato com Ferguson para comentar a divulgação, mas não obteve resposta.
Fonte: BBC News Brasil
