quarta-feira, 18 fevereiro 2026
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Líder do Irã diz que EUA não destruirão país e ameaça afundar porta-aviões americano

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O aiatolá Ali Khamenei enfrenta uma série de protestos no último mês. As manifestações foram reprimidas por forças de segurança. Foto: Handout/HANDOUT

Estados Unidos e Irã retomaram as negociações nucleares nesta terça-feira, 17, na Suíça, em um momento de forte tensão no Oriente Médio, marcado pela ameaça de um possível ataque americano caso não haja acordo. O governo Trump participa das tratativas por meio de enviados de confiança, enquanto o presidente afirma acompanhar o processo de forma indireta.

Ao mesmo tempo em que pressiona o Irã a fechar um acordo, Trump voltou a falar em mudança no regime em Teerã, após apoiar manifestações antigoverno no país, e reforçou a presença militar dos EUA na região, por meio do envio de um porta-aviões.

Em resposta a ameças do presidente americano, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que Donald Trump “não conseguirá destruir a República Islâmica”. E, sem mencionar Washington diretamente, ironizou a retórica militar dos Estados Unidos. “Ele diz que seu Exército é o mais forte do mundo. O Exército mais forte do mundo pode, às vezes, levar um golpe tão forte que não consiga mais se levantar”, alertou.

Em outra referência indireta ao reforço naval dos EUA na região, acrescentou: “Mais perigosa do que um porta-aviões é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar.”

As declarações ocorrem após Trump afirmar que uma mudança de poder no Irã “seria o melhor que poderia acontecer”, ao mesmo tempo em que pressiona por concessões mais amplas de Teerã, incluindo restrições ao programa nuclear, aos mísseis balísticos e ao apoio a grupos aliados no Oriente Médio.

Khamenei também rejeitou as condições impostas por Washington para eventuais tratativas. “Determinar previamente o resultado de uma negociação é algo tolo”, disse. Segundo ele, os EUA propõem discutir a energia nuclear iraniana já estabelecendo como desfecho que o país não poderá mantê-la. “Se houver uma negociação, definir o resultado de antemão é um ato errado e tolo”.

O Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos e acusa os EUA de buscar “dominar a nação iraniana”. O impasse ocorreu às vésperas de uma nova rodada de negociações entre Teerã e Washington.

Ontem, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, reuniu-se em Genebra com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Araghchi afirmou estar na cidade suíça com “ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo”, mas ressaltou que “submissão diante de ameaças” não está em discussão.

Em entrevista à BBC, o vice-chanceler Majid Takht-Ravanchi disse que o Irã aceita negociar o programa nuclear desde que haja alívio das sanções lideradas por Washington.

Fonte: Estadão