Praticamente três quartos dos imigrantes detidos atualmente nos Estados Unidos não têm qualquer tipo de antecedente criminal.
É o que mostram cálculos realizados por universidades e organizações de apoio aos imigrantes e que contrariam o discurso oficial de que as prisões focam apenas em indivíduos que oferecem risco à segurança pública.
Sob a nova gestão de Donald Trump, a prisão de estrangeiros sem antecedentes registrou um salto de mais de dois mil por cento, evidenciando uma política de tolerância zero que atinge inclusive quem tenta regularizar sua situação no país
De acordo com os dados analisados, dos sessenta e oito mil detidos até o final do ano passado, setenta e três por cento não tinham histórico de crimes ou cometeram apenas infrações leves, como delitos de trânsito.
Um dos casos que ganhou o noticiário aqui no país, nos últimos dias, foi a prisão do influenciador brasileiro Júnior Pena, que acumulava quase um milhão de seguidores nas redes sociais e costumava defender as políticas de imigração do atual governo, declarando apoia Trump.
Pena foi detido na Flórida após faltar a uma audiência judicial.
Especialistas e juristas denunciam que o sistema está sendo usado para forçar deportações rápidas, dificultando o acesso a fianças e o direito de defesa.
Uma das principais preocupações é com a situação humanitária, em razão dos registros de mortes sob custódia superiores aos números da pandemia e de surtos de doenças como o sarampo em centros de detenção superlotados.
