
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira, 3, que ordenou ao ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, o início de negociações nucleares “equitativas” com os Estados Unidos, após a advertência do presidente americano Donald Trump de que “coisas ruins” podem acontecer se não houver um acordo.
A reunião entre os dois países pode ocorrer na próxima sexta-feira, 6, na Turquia, disse à Agence France-Press uma fonte árabe sob condição de anonimato. Segundo ela, o provável encontro é resultado das “gestões de Egito, Catar, Turquia e Omã”.
“Instruí meu ministro das Relações Exteriores a, desde que exista um ambiente adequado – livre de ameaças e expectativas não razoáveis -, prosseguir com negociações justas e equitativas”, escreveu Pezeshkian em publicação no X. No Irã, o topo da hierarquia não é ocupado pelo presidente, mas por um líder supremo religioso – no caso, o aiatolá Ali Khamenei.
O governo do Catar afirmou nesta terça-feira que os esforços diplomáticos “continuam de forma muito intensa”.
Depois de anunciar a ameaça de intervenção militar e enviar uma dezena de navios de guerra ao Oriente Médio, Trump afirmou no domingo, 1º, que esperava “alcançar um acordo” com o Irã.
A pressão sobre Teerã aumentou desde o início de janeiro, após a repressão aos protestos que sacudiram o país, inicialmente motivados pelo custo de vida, mas que evoluíram para um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Iraniana de 1979.
Trump advertiu na segunda-feira, 2, que, se o Irã não alcançar um acordo com Washington, “coisas ruins” poderão ocorrer. “Estamos falando com eles, estamos falando com o Irã, e se pudermos encontrar uma solução, seria estupendo. E, se isso não for possível, provavelmente vão acontecer coisas ruins”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
O jornal americano Axios e a agência iraniana Tasnim já haviam indicado que Araghchi foi designado para representar Teerã nas negociações com o enviado de Trump, Steve Witkoff.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, “os países da região atuam como mediadores para a troca de mensagens”, mas desmentiu ter recebido qualquer ultimato por parte de Trump.
Fonte: Estadão




