domingo, 22 fevereiro 2026
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Sem compensação, nova faixa de isenção do IR pressiona finanças municipais, com impacto no FPM

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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Sem a adoção de medidas compensatórias, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) pode provocar uma perda bilionária na arrecadação dos municípios. É o que aponta estudo publicado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

De acordo com o levantamento, a medida produzirá dois tipos de impacto nas finanças municipais.

O primeiro refere-se à arrecadação própria das prefeituras proveniente do Imposto de Renda retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos pagos a seus servidores. Com a ampliação da faixa de isenção, mais ocupações do funcionalismo municipal deixarão de contribuir com o tributo, reduzindo essa receita.

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O segundo impacto está relacionado aos recursos repassados por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), cuja composição inclui parcela da arrecadação federal do Imposto de Renda. Com a diminuição da base arrecadatória, os repasses ao fundo também tendem a ser reduzidos.

O estudo estima que a medida poderá retirar R$ 9,5 bilhões por ano dos cofres municipais. Do total estimado de perdas, ao menos R$ 4,9 bilhões referem-se à redução da arrecadação própria do IRRF, enquanto R$ 4,6 bilhões dizem respeito à diminuição dos recursos do FPM.

Confira o impacto por estado da ampliação da isenção do IR para os municípios

UFPerda anual por FPMPerda anual por arrecadação própriaPerda antes da compensação
AC24.928.82524.148.08049.076.905
AL105.104.96076.555.669181.660.629
AM83.992.89976.528.519160.521.418
AP18.373.3858.964.45727.337.843
BA423.397.732311.136.225734.533.956
CE229.644.381188.627.867418.272.248
DF8.001.10411.8808.012.984
ES82.216.609106.022.454188.239.063
GO170.240.674153.519.632323.760.306
MA193.441.103202.854.395396.295.498
MG607.218.334543.703.7641.150.922.098
MS67.118.254118.238.898185.357.151
MT83.387.956112.420.416195.808.373
PA163.030.834197.812.005360.842.839
PB151.643.569105.590.818257.234.387
PE229.414.967180.590.899410.005.866
PI123.020.76959.512.836182.533.606
PR314.887.454353.816.072668.703.525
RJ136.505.104343.445.804479.950.908
RN114.489.85775.474.764189.964.621
RO39.476.73249.096.84288.573.574
RR23.408.97218.746.59642.155.568
RS310.539.045295.989.051606.528.097
SC181.168.051249.895.086431.063.137
SE70.920.80144.381.458115.302.259
SP614.588.025964.537.5941.579.125.619
TO62.478.65449.515.387111.994.041
BR4.632.639.0504.911.137.4699.543.776.519

Nova faixa de isenção do Imposto de Renda

A nova faixa de isenção do IR, em vigor desde janeiro deste ano, beneficia contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5 mil e prevê redução gradual do imposto para quem recebe até R$ 7.350. Contudo, ainda não há definição clara sobre como a medida será implementada sem comprometer o equilíbrio fiscal dos municípios.

Segundo o governo federal, para mitigar a perda de arrecadação foi retomada, em 2026, a tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos. Para pessoas físicas residentes no Brasil, aplica-se alíquota de 10% sobre valores que ultrapassem R$ 50 mil mensais — ou R$ 600 mil anuais — por empresa. Para beneficiários domiciliados no exterior, a mesma alíquota incide sobre os dividendos pagos ou remetidos, independentemente do valor.

Entretanto, o especialista em orçamento público Cesar Lima avalia que ainda não há garantias de que essa alternativa compensará integralmente as perdas municipais.

“Não existe na legislação atual um mecanismo que obrigue a União a fazer uma complementação direta no FPM para cobrir perdas decorrentes de mudanças em alíquotas ou faixas de isenção. Também não há comprovação de que a tributação adicional de 10% sobre rendas acima de R$ 50 mil mensais será suficiente, especialmente considerando a possibilidade de planejamento tributário para reduzir essa incidência”, considera.

Preocupações 

Ainda de acordo com o estudo, apesar de medida não apresentar neutralidade nas estimativas divulgadas (uma perda de R$ 25,4 bilhões contra uma compensação de R$ 34,1 bilhões), os entes locais vão continuar a perder recursos. 

Além disso, para a CNM, essa perda é generalizada entre todos os portes populacionais e Unidades Federadas. A estimativa é de que mais de 1,7 mil municípios vão perder recursos financeiros. Desse total, mais de 1,2 mil contam com população inferior a 50 mil habitantes.
 

Fonte: Brasil 61