Preso preventivamente por suspeita de fraude bancária, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a ser defendido pelo advogado José Luís Oliveira Lima. Trata-se do mesmo advogado que conduziu a delação premiada do empresário Léo Pinheiro, da OAS — acordo que teve papel central na condenação e prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Operação Lava Jato.
A troca na defesa ocorreu após o advogado Pierpaolo Bottini deixar o caso e subestabelecer a procuração para Oliveira Lima. Vorcaro está detido na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima do sistema penitenciário federal.
Em entrevista à coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal “Metrópoles”, Oliveira Lima confirmou ter assumido a defesa do banqueiro e afirmou que considera a colaboração premiada um “meio de defesa”. Embora tenha negado já ter procurado a Polícia Federal (PF) ou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para discutir uma eventual delação, a declaração reforçou as especulações de que a estratégia jurídica pode envolver um acordo de colaboração.
Vorcaro foi preso no início do mês por fraudes bancárias bilionárias. Nesta sexta-feira (13), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter sua prisão preventiva. O relator do caso, ministro André Mendonça, foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Falta ainda o voto do ministro Gilmar Mendes.
Segundo informações divulgadas pela revista “Veja”, o banqueiro teria reagido com desespero à decisão do STF. De acordo com interlocutores, Vorcaro esmurrrou a parede da cela, ferindo as mãos e precisando de atendimento médico. Durante o episódio, ele teria gritado nomes de políticos e autoridades com quem manteria “relações financeiras”, reclamando que essas pessoas não estariam atuando para ajudá-lo a sair da prisão.
O advogado da delação que levou Lula à prisão
A entrada de José Luís Oliveira Lima na defesa de Vorcaro chama atenção principalmente por seu papel em um dos episódios mais marcantes da operação Lava Jato: a delação do empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS.
Pinheiro permaneceu preso entre 2016 e 2019. Durante esse período, houve uma primeira tentativa de acordo de colaboração premiada que acabou rejeitada pelos investigadores porque não implicava diretamente o ex-presidente Lula.
Posteriormente, após novas negociações conduzidas por Oliveira Lima, Pinheiro alterou sua versão dos fatos e assinou um acordo de delação premiada. Nos depoimentos, passou a acusar Lula no processo envolvendo o apartamento triplex no Guarujá — acusação que se tornou peça central da condenação e da prisão do ex-presidente, impedindo-o de disputar as eleições presidenciais de 2018.
Com o acordo homologado, Pinheiro obteve benefícios jurídicos, como redução de pena e progressão de regime.
A mudança de posição do empresário gerou questionamentos inclusive dentro da própria força-tarefa da Lava Jato. Em mensagens reveladas posteriormente, o então procurador Deltan Dallagnol demonstrou preocupação com a percepção pública do acordo, afirmando que não poderia “parecer um prêmio pela condenação de Lula”.
Anos depois, em setembro de 2021, Léo Pinheiro escreveu uma carta de próprio punho afirmando que havia mentido ao acusar Lula de corrupção e tráfico de influência em negociações envolvendo financiamentos internacionais. O empresário também negou a realização de um encontro que havia mencionado em sua delação.
Apesar das retratações posteriores e das controvérsias envolvendo os depoimentos, a delação conduzida por Oliveira Lima teve papel determinante nos processos que levaram à prisão de Lula. Agora, com Vorcaro preso e sob pressão judicial, a escolha do mesmo advogado que articulou aquele acordo volta a colocar a possibilidade de uma nova delação no centro da estratégia de defesa do banqueiro.
Fonte: Revista Fórum







