Debate serviu para atualizar projetos e destacar impactos da malha ferroviária na competitividade de Mato Grosso
A infraestrutura logística voltou ao centro do debate no Show Safra Mato Grosso, nesta terça-feira (24), com a realização de um painel dedicado às ferrovias e ao futuro do transporte de grãos no estado. O encontro reuniu autoridades, representantes de empresas e especialistas, reforçando o compromisso da Fundação Rio Verde em trazer temas estratégicos e técnicos que impactam diretamente o dia a dia do produtor rural e o desenvolvimento regional.
O prefeito de Lucas do Rio Verde, Miguel Vaz, destacou a relevância do tema para o município e para todo Mato Grosso, reforçando a necessidade de manter o assunto em evidência junto à sociedade. “Sem dúvida, o tema ferrovia é muito importante para Lucas do Rio Verde e para Mato Grosso. A ideia de trazer esse painel é justamente atualizar os projetos e tornar essas informações públicas, para que a população, o setor produtivo e os produtores rurais possam acompanhar e começar a enxergar o futuro com mais competitividade para a nossa região”, afirmou.
Ferrogrão e o impacto direto no bolso do produtor
Projeto considerado estratégico para o escoamento da produção do Centro-Oeste até os portos do Arco Norte, a Ferrogrão foi abordada por Guilherme Quintela, que trouxe uma análise detalhada dos entraves e das oportunidades da iniciativa. Ele destacou que, apesar de contar com apoio de diferentes governos ao longo dos anos, o projeto ainda enfrenta entraves jurídicos e institucionais que atrasaram sua evolução. Ainda assim, a expectativa é de avanço, com possibilidade de licitação nos próximos anos.
Além do cenário político e técnico, Quintela chamou a atenção para o impacto direto da ferrovia no custo logístico. Atualmente, o transporte de grãos de Lucas do Rio Verde até os portos, utilizando o modelo rodoferroviário via Rondonópolis, custa cerca de 70 dólares por tonelada. Com a Ferrogrão, esse valor pode cair para aproximadamente 37 dólares por tonelada.
A diferença, segundo ele, representa ganho expressivo ao produtor rural, aumentando a margem e a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
Avanços concretos e desafios em andamento
Representando a Rumo, a gerente de Relações Institucionais e Governamentais, Andriele Rodrigues, apresentou um panorama atualizado das obras da ferrovia estadual, considerada uma das principais apostas para melhorar a logística do agronegócio mato-grossense.
Segundo ela, a primeira fase do projeto, que liga Rondonópolis a Dom Aquino, já está com 86% das obras concluídas, totalizando 532 quilômetros, com mais de 110 quilômetros de trilhos instalados. A previsão é que esse trecho entre em operação em breve. “A obra segue a todo vapor. Estamos avançando por etapas e, após a conclusão da primeira fase, seguiremos para a segunda, que avança em direção a regiões como Planalto da Serra e Nova Mutum, até chegar a Lucas do Rio Verde”, explicou.
Ela ressaltou, no entanto, que desafios como questões de engenharia, características do solo e a dificuldade na contratação de mão de obra — estimada em mais de cinco mil trabalhadores — ainda impactam o ritmo das obras.
Fonte: Verbo Press
