
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, é apontado em investigações como beneficiário de cerca de R$ 8 milhões em pagamentos ilícitos relacionados ao Banco Master. No mesmo caso, o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, teria recebido ao menos R$ 4 milhões, elevando o total sob suspeita a aproximadamente R$ 12 milhões.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9
As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a apuração, os dois ex-dirigentes teriam atuado paralelamente às suas funções institucionais, prestando suporte informal ao Banco Master dentro da própria autoridade monetária.
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De acordo com os elementos reunidos, a diferença nos valores recebidos estaria relacionada ao nível hierárquico e ao tempo de participação de cada um no suposto esquema. Paulo Sérgio, por ocupar um cargo mais elevado e ter ingressado antes nas tratativas, teria recebido montante superior.
As investigações indicam que ambos teriam repassado informações internas e participado da elaboração de pareceres que, posteriormente, seriam analisados por eles próprios no âmbito do Banco Central, o que levanta suspeitas de favorecimento indevido à instituição financeira.
Um dos pontos centrais da apuração envolve a suposta simulação da venda de um sítio por Paulo Sérgio a um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Já no caso de Belline Santana, foi identificada a criação de uma empresa voltada à capacitação de jovens em situação de vulnerabilidade, registrada em julho de 2025 — poucos meses antes da liquidação do Banco Master, decretada em novembro do mesmo ano.
A empresa foi aberta no endereço residencial declarado por Belline, em São Paulo, e apresentou inconsistências cadastrais, como a indicação de um telefone inexistente. Em depoimento no âmbito de sindicância interna, ele afirmou ter recebido inicialmente uma proposta de R$ 2 milhões para prestação de serviços, além de pagamentos iniciais de R$ 500 mil em 2023. O montante total recebido teria alcançado R$ 4 milhões.
As investigações também apontam a atuação de intermediários ligados ao banco, responsáveis por operacionalizar os pagamentos e a aproximação com os servidores. O caso é apurado pela Polícia Federal e também é alvo de processos administrativos instaurados pela Controladoria-Geral da União (CGU), que avalia a responsabilização dos envolvidos, incluindo a possibilidade de expulsão do serviço público.
As defesas negam irregularidades. Os advogados de Paulo Sérgio afirmaram: “O Sr. Paulo Sérgio jamais recebeu qualquer vantagem indevida. Não é verdade que tenha simulado a venda de um sítio. O negócio foi realizado a valor de mercado. Também jamais favoreceu Daniel Vorcaro ou o Banco Master em sua atuação, sempre pautada na proteção do sistema financeiro e da sociedade”.
Já os representantes de Belline Santana declararam que “não houve, de sua parte, favorecimento a qualquer Instituição Financeira, muito menos ao Banco MASTER, esperando-se que seja resguardado o regular contraditório nas instâncias competentes”. Em nota, acrescentaram que “o exercício regular das funções do Sr. BELLINE SANTANA perante o BCB também não se confunde com outras atividades, igualmente lícitas, não havendo desvio de finalidade ou obtenção de vantagem indevida”.
A defesa de Paulo Sérgio também questionou restrições de acesso aos autos do processo e criticou medidas judiciais adotadas durante a investigação. Segundo os advogados, “mais de um mês após ter sofrido medidas constritivas pessoais e patrimoniais, decretadas pelo STF, a defesa do Sr. Paulo Sérgio Souza continua tendo seu acesso aos autos do inquérito ilegalmente limitado”.
Fonte: Brasil 247




