
O presidente Donald Trump sinalizou que está considerando retirar os Estados Unidos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e descreveu a aliança militar como um “tigre de papel” em entrevista ao The Telegraph publicada na quarta-feira (01), após dias criticando a relutância do grupo em ajudar os EUA no conflito com o Irã e na reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump afirmou ao jornal britânico que nunca se deixou “influenciar pela OTAN” e que sempre soube que a aliança era “um tigre de papel”. Questionado sobre se estava reconsiderando a permanência dos EUA na aliança, Trump respondeu: “Ah, sim, eu diria que isso vai além de uma reconsideração”.
Trump disse que não “insistiu muito” para que a OTAN se envolvesse no conflito porque acredita que isso deveria ter sido “automático”. O presidente então afirmou que os Estados Unidos estiveram envolvidos “automaticamente” na Ucrânia, embora acredite que a invasão russa ao país “não era nosso problema”.
Trump acrescentou que isso serviu como um teste, pois acredita que os EUA estiveram presentes em apoio aos outros membros da OTAN e “sempre teriam estado lá”, mas alegou que os aliados europeus falharam em retribuir.
Em entrevista à Fox News na última terça-feira (31), o secretário de Estado Marco Rubio disse: “Acho que não há dúvida de que, infelizmente, depois que este conflito for concluído, teremos de reexaminar essa relação. Se a OTAN se resume a nós defendermos a Europa caso ela seja atacada, mas eles nos negarem direitos de uso de bases quando precisamos delas, isso não é um acordo muito bom. É difícil continuar engajado assim”.
Alguns membros europeus da OTAN restringiram ou fecharam o espaço aéreo para aeronaves militares dos EUA envolvidas na guerra com o Irã, incluindo Espanha, França e Itália. O governo espanhol tem se destacado como um dos críticos mais vocais da guerra ao Irã no Ocidente.
A ministra da Defesa do país, Margarita Robles, descreveu a guerra como “profundamente ilegal e profundamente injusta” e afirmou: “portanto, nem as bases estão autorizadas, nem, é claro, o uso do espaço aéreo espanhol está autorizado para quaisquer ações relacionadas à guerra no Irã”.
A Itália negou o uso de sua base aérea na Sicília aos aviões de guerra dos EUA envolvidos no conflito. Também na terça-feira, Trump atacou o governo francês, dizendo que ele estava sendo “MUITO POUCO PRESTATIVO” ao não permitir que aviões americanos “a caminho de Israel, carregados com suprimentos militares”, sobrevoassem seu território.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com




