segunda-feira, 18 maio 2026
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A solução desesperada de Flávio Bolsonaro para manter a candidatura competitiva

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Reprodução

O teto de vidro do clã Bolsonaro se estilhaçou por completo e o que sobrou foi o desespero. Flagrado em áudios explícitos negociando e recebendo nada menos que R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, o banqueiro que comanda a fraude do escândalo do Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viu sua imagem pública ser pulverizada em toda a sociedade fora da bolha cega de seus apoiadores. A máscara de paladino da moralidade caiu, revelando o perfil de um político profissional demagogo, cercado pelo histórico de corrupção familiar, que acabou pego achacando um operador financeiro criminoso para faturar uma fortuna.

Diante de uma candidatura presidencial que foi virtualmente destroçada e com o nome transformado em verdadeiro material radioativo, o filho “zero um” do ex-presidente extremista prepara uma ofensiva de emergência nesta semana que começa. Totalmente isolado no discurso, Flávio e seus articuladores mais próximos chegaram a uma conclusão óbvia: após ter a reputação aniquilada perante a sociedade não bolsonarista, a única e última cartada para manter sua campanha minimamente competitiva é buscar a “força e o apoio” da Faria Lima. Só o setor financeiro pode tentar salvar o que restou de suas pretensões eleitorais para a corrida ao Planalto.

Périplo do desespero: De reuniões de crise ao coração do mercado

Após passar os últimos dias trancado em tensas reuniões de crise em Brasília para tentar estancar a sangria, o senador iniciou um vaivém frenético. Na sexta-feira (15), viajou para o Rio de Janeiro e, até o sábado (16), cumpriu agendas no interior de São Paulo, passando por Sorocaba e Campinas para o lançamento da chapa bolsonarista no estado. O retorno a Brasília foi apenas uma escala técnica antes do desembarque definitivo na capital paulista, previsto entre terça (19) e quarta-feira (20).

Em São Paulo, Flávio terá encontros reservados e de portas fechadas com representantes de fundos de investimento, banqueiros e operadores de mercado. Interlocutores que acompanham o parlamentar confirmam que o clima nos bastidores é de puro pânico; o senador está, de fato, desesperado com o tamanho da “tragédia” que implodiu sua imagem. Os memes se multiplicam nas redes e os setores mais populares se indignam e riem com o diálogo escuso de Flávio com Vorcaro.

Embora esses encontros com o empresariado já estivessem na agenda antes de o site Intercept Brasil revelar os áudios sobre o financiamento de R$ 61 milhões para o filme biográfico Dark Horse, uma peça de propaganda sobre Jair Bolsonaro, a repercussão avassaladora mudou o caráter da viagem. O que seria uma agenda de aproximação virou uma operação de sobrevivência política urgida pela dilaceração de sua viabilidade eleitoral.

Faria Lima faz piada e amplia debandada

A missão de Flávio Bolsonaro na Faria Lima, contudo, flerta com o impossível. Nos bastidores, integrantes da própria pré-campanha admitem enorme preocupação, pois os investidores e operadores financeiros não estão apenas decepcionados, eles estão fazendo piada com a situação do senador, ainda que chateados por terem seus planos frustrados. O escândalo das relações obscuras e presumivelmente criminosas com Vorcaro foi o principal assunto, inclusive, entre a comitiva de empresários brasileiros durante a Brazil Week, em Nova York, sepultando as expectativas de quem via em Flávio o nome mais competitivo da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O termômetro do mercado já havia dado o sinal de alerta na última quarta-feira (13), dia do vazamento dos áudios. Em um movimento de pânico generalizado ligado diretamente ao aumento da instabilidade política do bolsonarismo, o Ibovespa despencou mais de 1,8% e o dólar disparou acima de 2%, voltando a encostar na casa dos R$ 5,00.

Essa turbulência econômica acelerou o movimento de setores empresariais que já buscavam alternativas mais técnicas e previsíveis. O nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), preferido desde sempre pelo “mercado”, já não serve mais, pois ele não se descompatibilizou a tempo do cargo para disputar a Presidência. Para piorar o cenário do clã, o nome do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), passou a ser citado com muito mais frequência nas mesas de operação da Faria Lima como uma via viável para a disputa presidencial.

A estratégia risível de fingir normalidade

Mesmo ciente de que o empresariado passou a questionar amplamente sua viabilidade, a estratégia oficial da campanha é tentar demonstrar uma estabilidade política artificial, numa atitude que beira o risível: Flávio quer fingir que nada aconteceu. Auxiliares afirmam que o plano é ignorar o tamanho do estrago, ampliar as viagens pelo país, intensificar agendas públicas e forçar uma presença maior em entrevistas. Junto ao empresariado, a promessa será a defesa cega de uma agenda liberal com redução de impostos e desburocratização, uma tentativa desesperada de oferecer uma contrapartida ao mercado para compensar a lama do escândalo.

Em outra frente de bastidores, aliados propuseram uma ofensiva agressiva contra o governo federal, tentando empurrar parte do desgaste do Banco Master para supostas conexões com grupos políticos ligados ao PT na Bahia. Uma tática que nasceu morta. Para analistas e até para os próprios operadores de campanha, depois de o senador ter sido flagrado de forma incontestável tomando dinheiro sujo de um banqueiro fraudador, qualquer tentativa de Flávio Bolsonaro de posar de paladino da ética tornou-se virtualmente impossível. Atolado na denúncia, resta ao senador implorar pelo oxigênio financeiro de São Paulo para não ver sua pré-candidatura ser enterrada antes da hora.

Fonte: Revista Fórum