Pequenos territórios europeus, centros financeiros globais e países com alta produtividade do trabalho continuam a dominar o ranking das maiores rendas per capita do mundo em 2026, segundo dados compilados pelo Fundo Monetário Internacional.
O PIB per capita é a soma de todos os bens e serviços produzidos por um país, dividido pela população média no período considerado, e é uma das principais métricas internacionais para comparar os tamanhos relativos das economias, além de medir o potencial de riqueza.
Apesar disso, o PIB per capita não indica, de forma direta, a distribuição de renda ou o poder de compra de uma população, dados que costumam aparecer em índices mais específicos (como a paridade do poder de compra, PPP, e o índice de Gini, que mede desigualdade na distribuição de salários).
Segundo o relatório mais recente do FMI, o World Economic Outlook de abril de 2026, um pequeno território europeu, Liechtenstein, um principado localizado entre Suíça e Áustria com população de apenas 40 mil pessoas, continua a ser o número um do ranking, com PIB per capita de US$ 226,8 mil.
Em seguida vêm Luxemburgo, Irlanda e Suíça, enquanto a maior economia do mundo, os EUA, aparece na oitava posição, e países emergentes seguem distantes das primeiras colocações.
Em termos de expansão do PIB, no entanto, quem lidera o crescimento proporcional são as economias emergentes, diz o FMI. Elas somam as maiores taxas de crescimento regional projetadas para o ano; já os países europeus apresentam crescimento desacelerado, e as maiores economias do mundo continuam com expectativas modestas de expansão econômica.
Quando se trata do PIB per capita, destacam-se as economias com maiores taxas de produtividade e pequenas populações.
As 10 economias com o maior PIB per capita do mundo em 2026:
- Liechtenstein — US$ 226,8 mil
- Luxemburgo — US$ 158,7 mil
- Irlanda — US$ 140,1 mil
- Suíça — US$ 126,1 mil
- Islândia — US$ 110 mil
- Singapura — US$ 107,7 mil
- Noruega — US$ 105,8 mil
- Estados Unidos — US$ 94,4 mil
- Dinamarca — US$ 83,4 mil
- Países Baixos — US$ 79,9 mil
Os dados refletem economias com características muito específicas: além da alta produtividade do trabalho, os primeiros colocados têm forte presença de serviços financeiros e tecnológicos em seus territórios, uma pequena população relativa e elevado grau de inserção em cadeias globais de valor.
Luxemburgo, um dos maiores centros financeiros do mundo, atrai bancos, fundos de investimento e sedes corporativas internacionais por sua legislação permissiva. Já a Irlanda, terceira colocada, tem se tornado um polo tributário e tecnológico para multinacionais do setor de TI e grandes farmacêuticas.
No caso irlandês, especialistas observam que o PIB per capita superestima parcialmente a renda efetivamente disponível à população local devido à contabilização dos lucros de multinacionais que operam no país, mas realizam transferências internacionais de renda.
Já o Brasil aparece, no ranking, bem abaixo dos 10 primeiros colocados, e atrás de economias como a argentina e a dominicana. O país tem um PIB per capita estimado em US$ 12,31 mil e uma paridade do poder de compra (PPP) de cerca de US$ 24,4 mil.
O FMI destaca que a concentração de renda nas economias avançadas está cada vez mais associada à capacidade de inovação tecnológica e à exportação de serviços modernos de alto valor agregado.
Segundo o relatório, os ganhos de produtividade ligados à digitalização e à rápida adoção da inteligência artificial podem gerar transformações estruturais nas economias avançadas ao longo da próxima década.
Destacam-se países como os EUA, Singapura e Irlanda, já fortemente consolidados nos setores tecnológico e financeiro, além de serviços digitais, computação e IA, segmentos que concentram os maiores salários e os maiores níveis de produtividade.
Empresas exportadoras de serviços modernos tendem a ser mais produtivas e oferecer empregos mais qualificados, o que eleva a renda média da população, enfatiza o FMI.
Apesar da liderança das economias desenvolvidas no ranking de renda per capita, o FMI projeta que os países emergentes e em desenvolvimento continuarão crescendo mais rapidamente nos próximos anos.
O crescimento do PIB real per capita global deve atingir 2,5% em 2025, subir para 2,7% em 2026 e desacelerar para 2,3% em 2027.
Entre as economias avançadas, a expansão é mais moderada, projetada em 1,6% para 2026 e 1,5% para 2027. As economias emergentes e os países em desenvolvimento devem puxar a média global, com crescimento per capita projetado de 3,4% em 2026 e 3,1% em 2027.
Fonte: Revista Fórum
