quinta-feira, 21 maio 2026
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Estudo mostra novo retrato da classe média brasileira: mais dívidas e menos poder de compra

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Divulgação | Vista aérea de São Paulo

O brasileiro trabalha mais, mas sente que consegue comprar menos. Essa é a conclusão de um estudo da Kinea Investimentos, que analisa a perda de poder de compra da classe média brasileira, com base em números de diferentes fontes.

Com o apoio de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central do Brasil (BC), World Bank, Organisation for Economic Co-operation and Development e séries históricas de mercado, a pesquisa mostra que o Brasil ampliou o consumo nas últimas décadas sem elevar produtividade na mesma velocidade. “O brasileiro médio não está apenas tentando subir. Em muitos casos, o objetivo é não descer”, afirma o relatório da gestora de investimentos, que é uma das maiores da América Latina.

Segundo o estudo, o Brasil cresceu, em média, apenas 2,2% ao ano entre 1981 e 2024. Em termos per capita, o avanço foi menor. Para a Kinea, isso ajuda a explicar por que o país alterna períodos curtos de expansão do consumo com longos ciclos de frustração econômica. 

A análise aponta que o ciclo de consumo entre 2003 e 2013 foi impulsionado por fatores como alta das commodities, expansão do crédito, valorização do salário mínimo e políticas de estímulo fiscal. O movimento permitiu o acesso de milhões de brasileiros a bens antes associados à classe média consolidada, como carro novo, imóvel financiado e viagens aéreas.

O problema, segundo a gestora, é que essa expansão não veio acompanhada de aumento consistente de produtividade. “O problema brasileiro não é de consumo, é de produção”, diz o relatório.

A recessão de 2014 a 2016 expôs essa fragilidade. O PIB acumulou queda superior a 8%, a inflação passou de 10% e o país perdeu o grau de investimento. Desde então, o crédito passou a funcionar como substituto de uma renda estrutural incapaz de acompanhar o custo de vida.

O estudo destaca que o endividamento das famílias praticamente dobrou desde meados dos anos 2000 e se aproxima de recordes históricos. O número de brasileiros com dívidas classificadas como “ativos problemáticos”, com atraso superior a 90 dias ou risco iminente de calote, cresceu 47% nos ultimos quatro anos alcançando 18,9 milhões de pessoas, segundo relatório do Banco Central (BC). O comprometimento da renda com dívidas também atingiu máximas, enquanto a inadimplência permanece elevada mesmo em um cenário de desemprego baixo. 

A perda de acesso da classe média aparece em itens do cotidiano. Um carro popular, que há pouco mais de uma década custava cerca de 17 salários médios, hoje supera 25 salários médios. Gastos com plano de saúde, aluguel e escola particular também passaram a consumir fatia maior da renda das famílias.

O relatório também aponta que cerca de 21% da renda das famílias brasileiras vêm do governo, percentual superior ao observado em países emergentes como o México. Segundo a Kinea, transferências sociais ajudam a sustentar o consumo no curto prazo, mas não resolvem o problema da baixa produtividade.

Fonte: Forbes Brasil