Leão 14 condena o uso de IA em armas militares, afirmando que ’embora a IA possa aprimorar a defesa e a proteção de civis, ela também pode diminuir o limiar para o uso da força, proteger as pessoas da responsabilidade e fomentar uma cultura na qual o inimigo é reduzido a uma estatística e a vítima a ‘dano colateral”.
O documento afirma ainda que a Igreja precisa participar ativamente dos debates sobre os rumos da tecnologia em um momento de rápidas transformações. Para isso, o Vaticano criou uma comissão dedicada a discutir o tema.
Proteção aos trabalhadores
Leão 14 manifesta na encíclica sua preocupação com a substituição de trabalhadores por sistemas automatizados e defende a preservação da dignidade humana diante do avanço tecnológico. Embora ressalte que “a tecnologia não deve ser considerada, em si, como uma força antagônica à humanidade”, o texto alerta que “a busca por maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrificam sistematicamente empregos”.
“Uma sociedade que garante emprego a apenas uma pequena fração da população, apesar de ter um alto nível de desenvolvimento técnico, corre o risco de expor muitos à inatividade forçada”, afirma o pontífice. “Isso cria um paradoxo de progresso material e regressão antropológica que mina os fundamentos de uma paz social justa e estável”, diz o texto.
Entre as medidas propostas pelo Vaticano constam: a regulação estatal sobre empresas privadas do setor, programas de requalificação profissional para trabalhadores afetados pela automação, estímulo ao pensamento crítico nas escolas e proteção de crianças contra conteúdos violentos, falsos ou hipersexualizados gerados digitalmente.
A primeira encíclica de Leão 14 traz, em meio a citações bíblicas, de trechos da Carta das Nações e de filósofos como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Platão, uma citação do mago Gandalf, personagem de O Senhor dos Anéis, do escritor JRR Tolkien. “Não nos cabe controlar todas as marés do mundo; nossa tarefa é fazer o que pudermos pela salvação dos anos em que vivemos , erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que vierem depois possam cultivar uma terra saudável e limpa”, diz o texto.
A encíclica estabelece ainda um paralelo histórico com Rerum Novarum. O documento foi publicado em 1891 por Leão 13 em resposta às transformações provocadas pela Revolução Industrial. Agora, Leão 14 propõe princípios para enfrentar os desafios impostos pela inteligência artificial no século XXI, ressalta o documento.
