sábado, 27 junho 2026
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Comissão Famato Mulher promove encontro entre comunicação, gestão e histórias que inspiram o agro

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O segundo dia do II Treinamento Terra que Ensina, Família que Lidera, promovido pela Comissão Famato Mulher, proporcionou ao público uma experiência que uniu conhecimento, inspiração e troca de vivências. Em um bate-papo mediado pela jornalista Leda Nagle e pelo ator e apresentador Duda Nagle, a produtora rural Denizia Medanha e a supervisora de campo da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar MT), Letícia Zanetoni, compartilharam histórias que evidenciaram como a gestão, a assistência técnica e o protagonismo das famílias impulsionam o desenvolvimento no campo.

Durante o primeiro podcast gravado ao vivo pela Comissão, Leda e Duda destacaram que conhecer de perto a realidade do agro ajuda a romper estereótipos e aproximar a sociedade de um setor essencial para o país. Para a jornalista, ainda falta informação sobre a dimensão e a importância da agropecuária brasileira.

“Essas informações não chegam com a precisão e a proporção que deveriam. Tenho certeza de que o agro é decisivo para o avanço do Brasil. Não apenas para ser o celeiro do mundo, mas para ser o nosso celeiro. Ele ainda é muito mal compreendido, e acho que nossa presença aqui contribui para mostrar o quanto o agro é importante”, afirmou Leda.

Duda ressaltou que comunicar também faz parte do fortalecimento do setor.

“Não adianta apenas colocar o ovo, tem que cacarejar. É preciso contar o que está sendo feito. Esse trabalho de comunicação aproxima o agro das pessoas.”

A conversa seguiu com o relato da produtora rural Denizia Medanha, que compartilhou a transformação vivida pela Fazenda São Francisco, em Jangada, após o início do atendimento da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), em outubro de 2024. A propriedade, de 135 hectares, passou a trabalhar com planejamento, indicadores e gestão, adotando mudanças como a reestruturação dos piquetes, o manejo nutricional do rebanho, a análise de solo e o controle dos custos de produção.

Segundo Denizia, uma das principais decisões foi reduzir o número de animais para adequar a lotação da fazenda à capacidade da área. O resultado foi um rebanho mais produtivo e de melhor qualidade. Com o ganho de eficiência, a família voltou a atingir cerca de 200 cabeças, agora com animais mais pesados e maior rentabilidade, além de ampliar a área da propriedade.

Ela contou ainda que o processo exigiu mudança de mentalidade e planejamento familiar. Durante o painel, também destacou a importância do autoconhecimento para a liderança no campo e defendeu que a sucessão rural deve começar pelo envolvimento do cônjuge, antes mesmo dos filhos.

“Aprendi que liderança é servir e que ninguém cresce sozinho. A ATeG nos ensinou a olhar para a propriedade com estratégia, mas também para dentro de nós. Quando você conhece suas fortalezas, valoriza a equipe e envolve a família, os resultados aparecem. A sucessão começa com o cônjuge; depois vêm os filhos e os netos”, afirmou.

Na sequência, Letícia Zanetoni compartilhou sua trajetória. Filha de pequenos produtores rurais, ela cresceu acompanhando a rotina da propriedade da família e aprendeu, desde cedo, a importância da gestão e da organização das informações. Há quatro anos, ingressou como técnica de campo da ATeG e, atualmente, atua como supervisora, acompanhando e orientando equipes que levam assistência técnica aos produtores em diferentes regiões de Mato Grosso.

Ela explicou que o trabalho da ATeG começa com um diagnóstico detalhado da propriedade para identificar oportunidades de melhoria e construir, junto ao produtor, um planejamento que integra assistência técnica e gestão. O acompanhamento permite que o produtor conheça seus custos de produção, acompanhe indicadores e tome decisões mais assertivas, aumentando a produtividade e a rentabilidade.

Letícia também explicou que os técnicos passam por um rigoroso processo de credenciamento e capacitação antes de iniciarem o atendimento nas propriedades. Após serem treinados pelo Senar Mato Grosso, são direcionados às cadeias produtivas nas quais possuem experiência, garantindo um atendimento qualificado e alinhado à realidade de cada produtor.

“Nosso papel é mostrar ao produtor, por meio dos números, onde ele está e onde pode chegar. A assistência técnica respeita a experiência de quem está no campo, mas traz ferramentas para que ele produza mais, gaste menos e tenha segurança para tomar decisões”, destacou.

Último dia reúne palestras, debates e planejamento de ações 

Encerrando a programação de dois dias voltada ao desenvolvimento pessoal, à gestão, à inovação, à sucessão familiar e ao protagonismo da mulher no campo, o último dia do treinamento contou ainda com a palestra de Ricardo Dal Bosco, “Quem cuida de pessoas colhe resultados”; a apresentação da cofundadora da Comissão Famato Mulher, Gabriela Tomain, sobre as ações da Famato na promoção da conexão entre os sindicatos rurais, a Federação e a sociedade; e a mesa-redonda “A Mulher Rural na Gestão Pública”, que reuniu lideranças femininas para discutir os desafios e as oportunidades da participação das mulheres nos espaços de governança.

Além das palestras, as representantes dos sindicatos rurais de todo o estado participaram de uma dinâmica com o objetivo de incentivar que, mais do que assistir e compartilhar experiências, coloquem em prática ações concretas em suas comunidades. Durante a atividade, elaboraram planos de ação e definiram estratégias para a realização de encontros regionais, fortalecendo a integração entre as diferentes regiões de Mato Grosso. Ao final, por meio de uma carta-compromisso, firmaram o compromisso de executar as ações planejadas e dar continuidade aos objetivos estabelecidos durante o treinamento.