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Mercado vê ciclo do BC perto do fim com apenas mais um corte da Selic

The Central Bank of Brazil in Brasilia, Brazil, on Wednesday, March 18, 2026. Brazil's central bank is poised to launch its monetary easing cycle despite lingering risks to oil prices from the war in Iran. Photographer: Arthur Menescal/Bloomberg © Bloomberg

(Bloomberg) — O mercado financeiro aposta que o Banco Central deve encerrar o ciclo de cortes na reunião do Copom de daqui a duas semanas, com uma flexibilização de 0,25 ponto percentual que levaria a Selic ao patamar de 14,25%, diante da piora do contexto de inflação pela guerra no Oriente Médio.

O choque dos preços do petróleo, que levou o Brent, referência global de cotação, de US$ 60 para US$ 95 o barril, ameaça se transformar numa alta de preços mais persistente, com possíveis efeitos de segunda ordem atrapalhando o processo de redução da taxa básica. Como resultado do avanço desses preços, as expectativas de inflação de 2028 têm subido continuamente, hoje se situando em 3,66%, acima da meta de 3% perseguida pela autoridade monetária.

NOTA: Economistas já veem primeiros sinais de efeitos secundários

Alguns agentes financeiros têm calibrado as estimativas e posições com a mudança de cenário. O Itaú Unibanco, por exemplo, aumentou a projeção de Selic ao fim do ano, de 13,25% para 13,75%.

“O afastamento de uma resolução do conflito tem feito cada vez mais o mercado revisar Selic para cima por conta da piora das expectativas”, diz Ricardo Jorge, trader de renda fixa e multimercados da MAG Investimentos.

Já a gestora Occam Brasil zerou a posição aplicada — que ganha com a queda das taxas futuras — nos juros locais. 

O ‘trade’ de aplicar juros “perdeu ímpeto”, disse Ian Lima, gestor de renda fixa ativa da Inter Asset. “O IPCA não dá respiro, o PIB veio mais forte e há discussões sobre um hiato do produto mais positivo”, afirmou Lima.

Na semana passada, o diretor de política monetária do BC, Nilton David, afirmou que a autoridade não iria permitir que “choques externos se transformem em inflação além do horizonte relevante da política monetária”.

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