(Bloomberg) — O mercado financeiro aposta que o Banco Central deve encerrar o ciclo de cortes na reunião do Copom de daqui a duas semanas, com uma flexibilização de 0,25 ponto percentual que levaria a Selic ao patamar de 14,25%, diante da piora do contexto de inflação pela guerra no Oriente Médio.
O choque dos preços do petróleo, que levou o Brent, referência global de cotação, de US$ 60 para US$ 95 o barril, ameaça se transformar numa alta de preços mais persistente, com possíveis efeitos de segunda ordem atrapalhando o processo de redução da taxa básica. Como resultado do avanço desses preços, as expectativas de inflação de 2028 têm subido continuamente, hoje se situando em 3,66%, acima da meta de 3% perseguida pela autoridade monetária.
NOTA: Economistas já veem primeiros sinais de efeitos secundários
Alguns agentes financeiros têm calibrado as estimativas e posições com a mudança de cenário. O Itaú Unibanco, por exemplo, aumentou a projeção de Selic ao fim do ano, de 13,25% para 13,75%.
“O afastamento de uma resolução do conflito tem feito cada vez mais o mercado revisar Selic para cima por conta da piora das expectativas”, diz Ricardo Jorge, trader de renda fixa e multimercados da MAG Investimentos.
Já a gestora Occam Brasil zerou a posição aplicada — que ganha com a queda das taxas futuras — nos juros locais.
O ‘trade’ de aplicar juros “perdeu ímpeto”, disse Ian Lima, gestor de renda fixa ativa da Inter Asset. “O IPCA não dá respiro, o PIB veio mais forte e há discussões sobre um hiato do produto mais positivo”, afirmou Lima.
Na semana passada, o diretor de política monetária do BC, Nilton David, afirmou que a autoridade não iria permitir que “choques externos se transformem em inflação além do horizonte relevante da política monetária”.
