Pesquisa aponta ampla adesão das escolas à restrição do uso de aparelhos celulares na educação básica um ano depois da implementação da lei.
De acordo com o levantamento realizado pelo Ministério da Educação em parceria com o Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 92% dos gestores de escolas afirmam que a lei está sendo implementada nas instituições: para 45% o processo está consolidado e, para 47%, ainda há desafios pela frente.
Rodrigo Mendes é professor da educação básica há mais de vinte anos. Para ele, o maior desafio nesse período foi a falta de direcionamento de como agir na restrição dos aparelhos.
“Há muitos anos a gente vinha percebendo que o celular estava atrapalhando a qualidade das aulas, mas o maior empecilho foi no início desse enfrentamento, porque é proibido o uso do celular. Mas quem que é responsável por não deixar? Ficou a cargo da escola, do professor, e muitas vezes entrava em um embate com alguns alunos”.
Com a lei 15.100 de 2025, não é mais permitido o uso indiscriminado de aparelho celular em qualquer espaço e horário das escolas. A restrição geral do uso de celulares passou de 20% para 48% dos estabelecimentos de ensino. Para os gestores entrevistados, aumentou a participação dos alunos nas atividades pedagógicas e também a socialização presencial.
A restrição do aparelho também favoreceu a redução de agressões digitais como cyberbullying. E entre os impactos positivos, está a redução da ansiedade no ambiente da escola e o crescimento de atividades manuais, lúdicas e artísticas sem telas. Rodrigo Mendes reforça a percepção da pesquisa de que houve aumento da concentração nas aulas sem a distração do celular.
“A gente tirou um concorrente de dentro da sala de aula porque muitos ficavam em rede social e em joguinhos e deixavam a gente de lado. Houve uma melhora porque aquele que era influenciado deixou de ser influenciado. O embate maior acontecia no 9º ano do ensino médio, mais difícil mesmo a gente conscientizar.”
A restrição do uso não pedagógico dos celulares não afetou as atividades educacionais que fazem uso de tecnologias digitais. A análise foi feita em 8189 escolas da educação básica em todos os estados. Neste primeiro momento, os resultados se referem à percepção dos gestores e, no próximo semestre, serão divulgados os dados relacionados aos professores.
* Com produção de Helder Castro
