Grupo Wagner confirma enterro de Prigozhin em cerimônia privada

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A portrait of the owner of private military company Wagner Group Yevgeny Prigozhin lays at an informal street memorial near the Kremlin in Moscow, Russia, Saturday, Aug. 26, 2023. Dmitry Utkin, whose military call sign Wagner gave the name to the group, is presumed to have died in a plane crash along with Wagner's owner Yevgeny Prigozhin and other military company's officers. (AP Photo/Alexander Zemlianichenko)

Os restos mortais do líder mais conhecido do grupo Wagner foram enterrados nesta terça-feira (29), em um cemitério da sua cidade natal, São Petersburgo.

A informação foi veiculada pelo serviço de imprensa do grupo mercenário russo através da rede social Telegram, onde surgiram igualmente imagens da cerimônia fúnebre e do local onde Yevgueny Prigozhin foi sepultado, alegadamente perto do jazigo de seu próprio pai.

Estiveram presentes na cerimónia apenas familiares e membros do círculo íntimo do líder do Wagner. O Presidente Vladimir Putin, de quem Prigozhin seria alegadamente próximo, não compareceu.

A discrição do funeral contrasta com as honras militares a que Prigozhin e outros líderes do grupo Wagner teriam direito enquanto heróis da Rússia.

O serviço de imprensa do Wagner convidou “todos os que se quiserem se despedir a visitar o cemitério de Porokhovskoye, de São Petersburgo”.

Suspeita de atentado

A morte de Prigozhin, aos 62 anos, foi confirmada após análise de DNA dos restos humanos de 10 pessoas, encontrados entre os destroços do avião Embraer em que seguiam e que caiu no dia 23 de agosto, perto de Moscou, quando se dirigia a São Petersburgo.

Antes da queda várias testemunhas ouviram pelo menos uma explosão. Análises norte-americanas têm afastado a probabilidade do aparelho ter sido abatido por um míssil e a hipótese de uma bomba tem ganhado força.

O chefe do grupo Wagner tinha incompatibilidades com as chefias militares russas, depois de acusa-las por diversas vezes e de forma pública de falhas e incompetência operacional. A lista de suspeitos pela queda do aparelho incluem essas chefias militares, bem como o próprio presidente russo, Vladimir Putin.

No final de junho, o grupo Wagner e Prigozhin tinham desafiado o poder russo, abandonando em peso os campos de batalha da Ucrânia e invadindo território russo, chegando a ameaçar Moscou.

Putin, de quem Prigozhin era próximo até essa revolta, falou em “traição”, mas acabou por aceitar a transferência dos milicianos Wagner para a Bielorrússia. A maioria dos analistas considerou então que, depois desta afronta, a vida de Prigozhin estava por um fio.

O Kremlin negou qualquer envolvimento na queda do aparelho e diz que as investigações serão rigorosas.

Fonte: Rachel Mestre Mesquita – repórter da Reuters – Lisboa
Credito Imagem – AP