Jato do chefe do Grupo Wagner cai na Rússia

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O chefe do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, e outras nove pessoas estavam em um voo que caiu na região de Moscou na quarta-feira (23) e todos que estavam a bordo morreram, segundo as agências de aviação e de serviços de emergência da Rússia. Ainda não se sabe a causa da queda do avião.

As autoridades afirmaram que outro comandante do Grupo Wagner, Dmitri Utkin, também estava na aeronave. Todos os corpos foram encontrados no local, de acordo com a agência de notícias russa Interfax.

Estavam no voo que caiu na região de Moscou, segundo a Autoridade Russa de Aviação Civil:

  • Yevgeny Prigozhin
  • Dmitry Utkin
  • Sergey Propustin
  • Yevgeny Makaryan
  • Aleksandr Totmin
  • Valeriy Chekalov
  • Nikolay Matuseev
  • Aleksei Levshin (comandante)
  • Rustam Karimov (copiloto)
  • Kristina Raspopova (comissária de bordo)

Cautela

O canal de Telegram Grey Zone, ligado ao Grupo Wagner, divulgou uma nota afirmando que Prigozhin morreu no acidente. No entanto, Keir Giles, especialista em relações internacionais, pediu cautela sobre os relatos da morte do russo.

“Vários indivíduos mudaram seus nomes para Yevgeniy Prigozhin, como parte de seus esforços para ofuscar suas viagens, não vamos ficar surpresos se ele aparecer em breve num novo vídeo na África”, disse ele à agência de notícias Associated Press.

Esta não é a primeira vez que o nome de Prigozhin aparece na lista de passageiros de um avião que caiu. Em outubro de 2019, a mídia da Rússia informou que o chefe do Grupo Wagner estava a bordo de uma aeronave militar An-72 que caiu com oito pessoas no República Democrática do Congo.

Na ocasião, a morte de Prigozhin foi amplamente noticiada, mas dias depois novas informações revelaram que ele não estava no avião que caiu.

A aeronave

O jato executivo Embraer Legacy 600 viajava de Moscou para São Petersburgo quando fez uma “vertical descendente repentina”, disse Ian Petchenik da plataforma Flightradar24, que monitora voos de todo o mundo.

Informações recolhidas pelo site mostram que o jato passou por uma série de subidas e descidas de alguns milhares de pés cada a partir das 18h11. Pouco depois, às 18h19 a aeronave despencou mais de 8 mil pés de sua altitude de cruzeiro de 28 mil pés.

“O que quer que tenha acontecido, aconteceu rapidamente”, disse Petchenik. “Eles podem ter lutado [com a aeronave] depois do que aconteceu, mas não havia nenhuma indicação de que tivesse algo errado com a aeronave.”

Investigadores russos abriram uma investigação criminal para determinar o que aconteceu. Algumas fontes não identificadas disseram à mídia russa acreditar que o avião havia sido abatido por um ou mais mísseis, mas isso não foi confirmado.

A fabricante brasileira de aviões Embraer SA disse que não tem prestado nenhum serviço ou suporte nos últimos anos ao avião, que acomoda cerca de 13 pessoas. A empresa afirmou em comunicado que cumpriu as sanções internacionais impostas contra a Rússia.

Grupo Wagner

Prigozhin, de 62 anos, lidera um exército particular que atuou em diversas guerras, inclusive na atual invasão do território ucraniano pela Rússia. Linha auxiliar das forças russas, o Wagner, inicialmente, era um grupo formado por combatentes experientes.

No entanto, a guerra foi se prolongando e Prigozhin começou a recrutar pessoas sem treinamento, especialmente detentos das prisões russas. O grupo liderou o ataque à cidade de Bakhmut, a batalha mais longa e sangrenta da guerra da Ucrânia até agora.

Em junho, contudo, o Wagner entrou em campanha para destituir o ministro de Defesa russo, num desentendimento que se intensificou após Prigozhin acusar o governo russo de promover um ataque contra acampamentos da organização.

Os integrantes do Wagner chegaram a assumir o controle da cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, e derrubaram vários helicópteros militares russos. Os mercenários chegaram a avançar em direção a Moscou, ação considerada “traição” pelo presidente Vladimir Putin.

A revolta terminou com um acordo no qual o governo russo afirmou que, para evitar derramamento de sangue, Prigozhin e alguns de seus combatentes deveriam seguir em direção a Belarus. Se isso ocorresse, o líder não seria processado por rebelião armada.

Nesta segunda-feira (21), Prighozin publicou no Telegram um vídeo em que ele aparecia na África. Foi o primeiro vídeo que divulgado por ele desde que ocorreram os desentendimentos com o exército russo.

Por G1