segunda-feira, 18 maio 2026
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Motta se pronuncia sobre instalação da CPI do Master após escândalo com Flávio Bolsonaro

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Divulgação | Revista Fórum

Em meio à escalada da crise política que atinge o núcleo do Partido Liberal (PL), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), quebrou o silêncio neste domingo (17) e manifestou-se oficialmente sobre os crescentes pedidos de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. A declaração ocorre no momento em que a cúpula do Legislativo enfrenta forte pressão de diferentes bancadas partidárias após as graves denúncias que envolvem diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O pronunciamento de Motta reflete o clima de apreensão que tomou conta dos bastidores do Congresso Nacional. A oposição, que vinha utilizando as suspeitas em torno do sistema financeiro como principal linha de desgaste e ferramenta de pressão contra adversários políticos, viu a narrativa ser esvaziada. A revelação de que o “zero um” operava bastidores financeiros milionários com a própria liderança da instituição investigada expôs o discurso da ala extremista e transformou a gritaria de cobrança em pura demagogia.

“Vamos dar um tratamento regimental a essa situação. E cumprir o regimento da Câmara que vai nortear a decisão do presidente”, declarou Hugo Motta de forma cautelosa a jornalistas nesta manhã, em Brasília.

Motta conversou com a imprensa logo após sua participação na Corrida da Câmara, um evento institucional comemorativo em celebração aos 200 anos de existência da Casa. Embora tenha tentado adotar uma postura estritamente institucional para conter os desdobramentos do incêndio político na capital federal, o tom burocrático adotado por Motta não esconde a gravidade do cenário. Interlocutores do Palácio do Planalto e líderes partidários informaram que o presidente da Câmara tem sustentado, em conversas reservadas, que qualquer análise sobre a instalação de novas comissões precisa respeitar rigidamente uma ordem cronológica dos requerimentos apresentados. Na prática, contudo, a estratégia de blindagem pelo regimento interno enfrenta forte resistência diante do tamanho do escândalo.

Áudio implodiu narrativa bolsonarista e acelerou o Congresso

O volume de pedidos para que o Banco Master seja formalmente investigado explodiu nos últimos dias. Até o momento, o Congresso Nacional já contabiliza sete pedidos de abertura de CPI. Desse total, um requerimento tramita na Câmara dos Deputados e outros dois foram protocolados em ritmo de urgência máxima ao longo desta semana, encontrando-se atualmente em fase intensiva de coleta de assinaturas entre os parlamentares para alcançar o quórum necessário.

O verdadeiro estopim para essa corrida de assinaturas e para o isolamento político da liderança bolsonarista foi a reportagem demolidora veiculada pelo site Intercept Brasil na última quarta-feira (13). A investigação jornalística trouxe à tona áudios inéditos e explícitos em que Flávio Bolsonaro aparece cobrando, de forma incisiva, transferências financeiras substanciais. Os registros comprovam que Daniel Vorcaro, controlador e dono do Banco Master, repassou a impressionante quantia de R$ 61 milhões para os interesses do clã.

De acordo com as apurações, essa fortuna milionária teve um destino marcadamente ideológico e familiar: o financiamento integral do longa-metragem biográfico Dark Horse, uma ostensiva peça publicitária e cinematográfica desenhada para inflar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. A descoberta de que a ala mais barulhenta da oposição atacava publicamente o Master enquanto o filho do ex-mandatário assegurava dezenas de milhões de reais em acordos privados com o comando do próprio banco retirou o chão retórico dos bolsonaristas, que agora se veem encurralados pelas próprias evidências.

Fonte: Revista Fórum